Maria Bethânia grava o show dos 60 anos de carreira, no fim da turnê no Rio, com cortes no roteiro audacioso

  • 18/01/2026
(Foto: Reprodução)
Maria Bethânia no primeiro dos dois dias de gravação do show '60 anos de carreira' na casa Vivo Rio, no Rio de Janeiro Rodrigo Goffredo ♫ PRIMEIRA PESSOA DO SINGULAR ♬ Voltei pela segunda vez ao show idealizado por Maria Bethânia para celebrar os 60 anos de carreira da intérprete. Nem preciso de justificativa ou pretexto para rever um espetáculo de Bethânia, cantora que acompanho com fervor desde a década de 1970, anos antes de pensar em dedicar minha vida profissional ao jornalismo musical. Sempre vi os shows da cantora mais de uma vez. Mas, sim, ontem, sábado, 17 de janeiro, havia um motivo adicional para ir à casa Vivo Rio para assistir novamente ao show “60 anos de carreira”. É que ontem foi o primeiro dos dois dias do registro audiovisual que eternizará de forma oficial o espetáculo que estreou em 6 de setembro de 2025 na mesma casa de shows do Rio de Janeiro (RJ) onde a curta turnê chega em tese ao fim. Hoje, domingo, 18 de janeiro, Bethânia encerra a turnê e conclui a gravação ao vivo com a captação da apresentação feita com a plateia na pista (o show de ontem foi com o público acomodado em mesas). Estive presente na estreia nacional da turnê e, desde então, venho acompanhando as mutações sofridas pelo show. Como é quase praxe na trajetória de Bethânia nos palcos, a cantora começou a cortar músicas do audacioso roteiro, construído sem a preocupação de alinhar hits para fisgar a plateia. A isca de Bethânia no palco é, e sempre foi, o canto intenso, teatral, majestoso, que se agiganta no calor da cena. Basta confrontar a recém-lançada gravação de estúdio do samba “Vera Cruz” (2025) com a abordagem ao vivo do grande samba de Xande de Pilares e Paulo César Feital para constatar que é no palco que o canto de Bethânia soa mais pleno de sentidos. Por isso mesmo, lamentei alguns cortes. “Mar e lua” (1980) foi a primeira música a sair do roteiro original, mas, no caso, foi trocada por outra canção de Chico Buarque, “Olhos nos olhos” (1976). “Mar e lua” se afinava mais com o roteiro, mas entendo a importância de “Olhos nos olhos” na carreira de Bethânia. Afinal, foi com a gravação dessa música, cuja letra expõe mulher altiva que dá a volta por cima após ser abandonada pelo parceiro, que Bethânia rompeu a barreira das emissoras de rádio AM há 50 anos e se tornou uma cantora popular, de massa, com a gravação de “Olhos nos olhos” feita para o álbum “Pássaro proibido” (1976). “Olhos nos olhos” é número batido nos shows de Bethânia. Ainda assim, na apresentação de ontem, a música foi a mais aplaudida, gerando efeito quase catártico. Em bom português, com exceção dos críticos e dos espectadores mais informados e antenados com a construção do roteiro, o público certamente aprova a troca de “Mar e lua” por “Olhos nos olhos”, raro sucesso em roteiro quase sem hits. Em contrapartida, as supressões de “Gás neon” (Gonzaguinha, 1974) e “Eu mais ela” (Chico César, 2025) são ausências que já vinham sendo sentidas desde as últimas apresentações do show “60 anos de carreira” em São Paulo (SP) e Salvador (BA). Nenhuma música entrou no lugar delas. Contribuição de Chico César para o show, no qual Bethânia solta a voz com sonoridade potente e renovada, “Eu mais ela” era uma das cinco músicas inéditas do roteiro. Lamento especialmente que a boa música de Chico César fique sem registro ao vivo oficial e torço para que ganhe gravação de estúdio, a exemplo de “Vera Cruz”, para que não se perca na história de Bethânia. Ontem, mais uma música, “Sete trovas” (Consuelo de Paula, Etel Frota e Rubens Nogueira, 2004), foi limada do roteiro. Faz parte dos shows de Maria Bethânia... Enfim, cabe ressaltar que a voz da cantora estava tinindo no primeiro dia da gravação ao vivo do show “60 anos de carreira”. A intérprete não estava no piloto automático. De todo modo, a apresentação de 17 de janeiro transcorreu sem um brilho especial, sem a chama que ardeu na primeira temporada da turnê na casa Vivo Rio. Hoje, com o público na pista, a temperatura do show deverá ser mais alta. Maria Bethânia grava o show sem músicas como 'Eu mais ela', 'Gás neon' e 'Sete trovas', presentes no roteiro original Rodrigo Goffredo

FONTE: https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2026/01/18/maria-bethania-grava-o-show-dos-60-anos-de-carreira-no-fim-da-turne-no-rio-com-cortes-no-roteiro-audacioso.ghtml


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