(Foto: Reprodução) Imagens promocionais de edições em CD de álbuns de Gal Costa (1945 – 2022), Simone, Dori Caymmi e Joyce Moreno
Divulgação / Montagem g1
♫ PRIMEIRA PESSOA DO SINGULAR
♬ Já ouvi dizer que o CD passará por processo de revalorização no mercado fonográfico como aconteceu com o LP, que chegou a ter a morte anunciada pela indústria do disco, mas ressuscitou com força.
Particularmente, não acredito na hipótese. O LP ressurgiu na era digital porque há todo um apelo na questão visual. O prazer tátil de manusear um LP é real. Sem falar que, com o incremento das artes gráficas e do advento dos vinis coloridos, o LP se torna cada vez mais um objeto de arte. A capa e o encarte já parecem importar mais do que o som.
Por isso mesmo, acho que o CD está condenado à morte. O único atrativo das bolachinhas prateadas, fabricadas no Brasil desde 1985, é o som límpido, cristalino. Para mim, se a gravação foi bem mixada e masterizada, o som do CD é imbatível. Mas o fato é que hoje poucos se importam com a qualidade do som, já que, no cotidiano, álbuns e singles são ouvidos nos celulares através de plataformas de áudio.
No entanto, percebo que o CD é como o samba na letra do maior sucesso do bamba Nelson Sargento (1924 – 2021). Ele agoniza, mas não morre... Tanto que, sem alarde, a gravadora Biscoito Fino lançou no fim de 2025 edições em CDs dos últimos álbuns de Dori Caymmi, Francis Hime, Gal Costa (1945 – 2022), Joyce Moreno, Sandra Pêra e Simone. Como as tiragens são baixas, os preços são altos. Mas haverá quem pague pelo prazer de completar uma coleção em CD.
Louvo a iniciativa porque o público desses artistas já está familiarizado com o CD e merece ter à disposição essa opção de áudio. Não vejo sentido, por exemplo, em lançar edições em CD de álbuns de Liniker, Marina Sena e Zé Ibarra, por exemplo, pois o público desses três artistas já surgiu sob o império da música digital. Contudo, artistas veteranos associados à MPB devem ter discos editados em CD.
Imagino seguidores de Gal e de Simone correndo às lojas para garantir um exemplar em CD dos álbuns “As várias pontas de uma estrela – Ao vivo no Coala” (2025) e “50 ao vivo” (2025), respectivamente. Afinal, quem tem todos os álbuns dessas cantoras em CD vai se sentir motivado a completar a coleção.
Da minha parte, tenho me desfeito de centenas dos milhares de CDs que amealhei em quase 40 anos de exercício ininterrupto de jornalismo musical. Não me interesso mais em acumular discos em casa. Para que ocupar espaço na estante (e na vida) com álbuns que nunca irei ouvir?
É o que penso atualmente e, por isso, me desfiz recentemente de discos de muitas cantoras cujos nomes não ouso dizer para não gerar polêmicas estéreis. Mas, não, jamais irei me desfazer de um CD de Gal, de Joyce Moreno, de Simone.
É preciso saber separar o joio do trigo. Tanto na hora de dispensar o CD que não nos interessa quanto na hora de abrir a carteira física ou digital para comprar aquele CD que, sim, merece entrar na coleção porque tem cantora que é imortal.